O Twitter, mistura de microblogging e feed, é a rede social virtual que mais cresce no momento. A pergunta de partida é "What are you doing?" (O que você está fazendo?), e a resposta permitida deve ter, no máximo, 140 caracteres.
Quando resolvi testar o Twitter, para ver o porquê de tanto sucesso, fiquei um pouco cabreiro. Afinal de contas, a princípio fica parecendo aquela coisa de "querido diário", em que as pessoas não fazem nada além de reclamarem da vida e dizerem coisas inúteis. Lembra do flog? Pois é.
No entanto, qual não foi a minha surpresa ao ver que o Twitter pode ser - e é - bem mais que isso. Pessoas de todo o mundo (todo o mundo MESMO) postam constantemente links interessantes, notícias e comentários sobre os mais variados assuntos. Tudo que você tem a fazer é seguir quem achar mais interessante. Nada melhor para passar o tempo no trabalho e buscar informações úteis. Basta seguir as pessoas certas!
Meu balanço final: o Twitter não está crescendo vertiginosamente à toa. Sua simplicidade de mecanismos de postagem e de estabelecimento de redes rende uma complexidade surpreendente, e, principalmente, muito proveitosa. Já me rendi à twittermania de um modo irreversível. Entretanto, não vá achando que o Twitter é o novo Orkut. É totalmente diferente. E bem melhor!
Interessou? Então arraste seu traseiro virtual gordo para a página do Twitter e faça já o seu perfil. E não se esqueça de me seguir!
Depois de longo período de inatividade (quase 2 meses), voltarei a postar aqui n'O Dono da Mentira. Gostaria de pedir as mais sinceras desculpas aos meus poucos e queridos leitores. Nos últimos tempos, muita coisa andou rolando na minha vida, de modos que não tive tempo nem inspiraçao - nem saco! - de escrever as minhas usuais besteirinhas de todo dia.
Conto com a compreensão de todos e espero vê-los de volta por aqui! Amanhã já tem um texto novo quentinho. Um forte e efusivo abraço!
Não, este post não tratará sobre a música do The Pretenders. Na verdade, se trata de uma corrente bloguística que, supostamente, aumenta as visitas. Fui incluído nessa tal corrente pelo Chubby boy, e me senti na obrigação de retribuir - apesar de achar o conteúdo meio egotrip demais.
Bom, as regras da tal corrente són las siguientes:
1 -Linkar a pessoa que te indicou; 2 - Escrever as regras do meme em seu blog; 3 - Contar 6 coisas aleatórias sobre você; 4 - Indicar mais 6 pessoas e colocar os links no final do post; 5 - Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando-a um comentário; 6 - Avisar aos indicados quando você publicar seu post.
Vamos às aleatoriedades sobre mim (momento egotrip):
- Fumo inveteradamente, não pretendo parar e odeio anti-tabagistas;
- Sempre estudei idiomas: falo três, além do português, e pretendo começar a estudar russo em breve. Não me perguntem o porquê;
- Minha intimidade com as emoções é tão minúscula que às vezes acho que tenho síndrome de Asperger. O que não significa que eu não odeie, sofra, goste ou ame. Eu só tenho certa dificuldade em lidar com essas coisas;
- Detesto qualquer tipo de competição. Saber fazer bem feito, para mim, é mais do que suficiente;
- Sou tímido a um ponto quase doentio, especialmente quando se trata de lidar com o sexo oposto.
- Tenho quatro hobbies na vida: leitura, astronomia, música e mapas. E eu não me considero nerd nem geek por isso;
Conheço poucas pessoas, e a pequena parte destas que possui blog já foi indicada pelo Gordito. Sendo assim, vou me dar o direto de desrespeitar a regra 4. Sim, eu sou um criminoso. Foda-se.
Espero não ter de falar sobre mim por aqui novamente, e pretendo ter tempo para atualizar com mais frequência.
Em tempo: o título do post, chain gang, refere-se a uma expressão em inglês que remete a um grupo de prisioneiros acorrentados entre si pelos tornozelos, com o propósito de realizar trabalhos braçais como quebrar pedras, carregar madeira e outras coisas. A prática era muito comum durante o século XIX, com os objetivos de limitar a vida em sociedade dos prisioneiros e de fazer com que os lucros advindos do trabalho dos condenados ajudassem a reduzir os custos do Estado com despesas prisionais. Nos EUA, o chain gang foi proibido em 1955. Entretanto, o estado do Alabama retomou a prática em 1995. Blog também é cultura. Inútil, mas é.
Depois de algum tempo, volto a postar por aqui. Dessa vez o post será curto, mas muito significativo.
Deixo aqui a letra traduzida de uma música que me fez refletir muito sobre os rumos que damos à vida, aos rumos que a vida nos dá e valores e princípios que acreditamos serem imaculáveis. No fim das contas, nada permanece.
Sugiro que, após lerem a letra da música, ouçam-na. É de encher o coração.
Hier encore (Ontem ainda) - Charles Aznavour Ontem ainda, eu tinha vinte anos E acariciava o tempo E brincava de viver Como se joga no amor E eu vivia a noite sem levar em conta os dias Que se perderam no tempo
Fiz tantos projetos Que permaneceram inacabados E alimentei tantas esperanças que se perderam E fiquei perdido, sem saber onde ir Com os olhos buscando o céu, mas o coração preso ao chão
Ontem ainda, eu tinha vinte anos E desperdiçava o tempo acreditando que o estava parando E para retê-lo, ou mesmo ultrapassá-lo, Não fiz mais que correr até perder o fôlego
Ignorando o passado, conjugando o futuro, Precedia de "eu" qualquer conversa E dizia sempre que eu queria o que era bom Para poder criticar o mundo com desenvoltura
Ontem ainda, eu tinha vinte anos Mas perdi meu tempo A cometer loucuras que não me deixaram, no fundo nada de verdadeiramente concreto Apenas algumas rugas na testa E o medo do tédio
E meus amores morreram antes mesmo de existir Meus amigos partiram, e não mais retornarão Por culpa minha, criei o vazio em volta de mim E descartei minha vida e meus anos de juventude
Do melhor e do pior, descartei o melhor Petrifiquei meus sorrisos e congelei meus choros Onde estão eles agora? Onde estão agora meus vinte anos...
Os meses de dezembro são sempre os mais imprevisíveis do ano. Seja pelas decisões de última hora sobre o destino da viagem de reveillón, ou pela correria aos shoppings e lojas para comprar os presentes de todo mundo, ou mesmo pela quantidade absurda de gente que cisma que quer encontrar com você antes do ano-novo. Essa última nunca consegui entender: que diferença faz encontrar-se em dezembro ou janeiro? Francamente! Os seres humanos inventam certos rituais que são qualquer coisa, menos lógicos.
Quase findo o dois milésimo oitavo ano depois de Cristo e da era de Peixes (o que não é mera coincidência), pensei em fazer uma retrospectiva de tudo que ocorreu nesse ano - que começou mal e acabou bem, apesar da crise financeira. Mas, no fim das contas, cheguei à conclusão que seria clichê demais fazer uma bobagem dessas. Mais um ritual completamente sem sentido.
Então, acho melhor avisar aos meus escassos, porém assíduos e fidelíssimos, leitores de que não estarei em BH city na última semana do ano. Estarei em terras peruanas, onde explorarei a famosa cidade perdida de Machu Picchu, e poderei conhecer Cuzco, Lima e o intrigante deserto de Nazca. Destarte, só escreverei neste humilde blog novamente no dois milésimo nono ano depois de Cristo e da era de Peixes.
Por isso, aproveito e deixo aqui o meu abraço, e agradeço a todos pelas visitas, opiniões e considerações às minhas baboseiras tão mal rabiscadas aqui no meu espaço. E que no próximo ano, possamos nos preocupar mais com os encontros e menos com os rituais. Até lá!
Quando você percebe que quando não há barulho, o silêncio sempre predomina. E quanto tempo da sua vida perdeu parado num sinal vermelho. Quanta informação inútil você apreendeu, quantos filmes idiotas você viu, de quantas conversas que nada acrescentaram você participou - e ativamente. Quanto dinheiro já gastou com bobagens, e quanto esforço e tempo você gastou para conseguir o dinheiro. Ou que as palavras perdem o significado quando são repetidas muitas vezes. Muitas vezes.
Quando você nota que amores começam para terminar, e que a felicidade e tão inatingível quanto é intangível. Que só aprende alguma coisa nos momentos de tristeza. Que a paz é só um intervalo entre duas guerras. Que ninguém será do jeito que você gostaria, e nem você será do jeito que ninguém gostaria. Que, por mais que haja afinidades, na maioria das vezes a diferença fala mais alto. Que a maior parte das coisas que você sabe é por obrigação, e que o que realmente importa acaba sendo relegado à categoria de hobby. E que você nunca saberá tudo o que gostaria, e mesmo as coisas que você sabe serão um dia esquecidas. Que, algumas vezes, as pessoas lhe chamam de algo que você faz um esforço tremendo para não ser. Ou que, ao se esforçar para não ser algo, é exatamente aquilo que você acaba se tornando.
Quando você vê que todas as pessoas do mundo, inclusive você, têm as mesmas desagradáveis necessidades fisiológicas. Que o maior prazer carnal não dura mais do que cinco segundos. Que tudo que é bom, faz mal. Que faz coisas para agradar os outros, muitas vezes em detrimento do seu próprio gosto. Que tem muito mais obrigações do que diversões, e que, às vezes, as coisas simplesmente não valem a pena. Que muitos dos seus sonhos nunca serão realizados. Que você não dorme o quanto gostaria, ou mesmo o quanto precisa. Que é mais fácil sentir dor do que prazer.
Quando você descobre que, por mais livre que se considere, está preso numa coisa chamada vida, e que a morte virá de alguma forma, num tempo que você não sabe. Mas sabe que a morte é, em alguma medida, dolorosa.
Durante um papo via MSN com minha amiga Jana, fui incentivado a escrever novamente sobre mulheres. E, dessa vez, sobre uma aspecto muito mais comportamental do que estético. A pergunta é: o que, afinal, nós homens admiramos e esperamos das mulheres?
Bom, antes de mais nada, sugiro-lhes a leitura que me foi indicada pela Jana, nesse link aqui. O fulaninho do texto diz que a vulgaridade é o atributo que, em grande medida, conquista os homens. Não vou dizer que é mentira, apesar de ser o dono dela, porque seria muita pretensão da minha parte. Mas discordo com veemência.
É óbvio que mulheres vulgares chamam mais a atenção em ambientes nos quais as relações sociais são mais superficiais, como em boates, botecos, bares, festas e afins. Como as caras leitoras deveriam saber, nós homens não estamos, num primeiro contato (que se pode definir como olhar e, por vezes, a aproximação), esperando inteligência, sagacidade, presença de espírito e outras coisas do tipo. Não se iludam: o que queremos mesmo são curvas, beleza, perfume. Queremos sexo. E é claro que, se uma determinada mulher nos parece vulgar, sentimo-nos inclinados a nos aproximar dela, justamente porque a recompensa provavelmente virá de forma mais fácil. E nós homens somos muito preguiçosos.
O que vem depois é o grande problema (para elas). Já transamos e, se a mulher é vulgar, provavelmente é superficial, burra e chata. Justamente por isso, só queremos sexo com ela. Não vamos ligar no dia seguinte, não vamos mandar flores nem chocolate. No máximo, ligaremos novamente num sábado à noite qualquer em que não tivermos nada para fazer. A lógica é a seguinte: se ela foi fácil para mim, com certeza o será para qualquer um; como somos egoístas e não gostamos de dividir fêmea com outro macho (vide documentários da Discovery Channel sobre leões, tigres, macacos e afins), não faz o menor sentido querer algum outro tipo de relação duradoura com ela. O mais fácil é anotarmos o telefone dela no celular e ligarmos quando estivermos a fim de sexo. E é aí que a mulher entra para nossa lista de sexo, chamada correntemente na linguagem masculina de gado.
No extremo oposto, encontram-se as mulheres com as quais queremos ter algum tipo de relacionamento mais duradouro. Vulgaridade é um atributo que deve ser inexistente nessa parte do espectro feminino. Mas não vão imaginando, leitoras, que colocar uma roupa que nada revele sobre a anatomia seja o ideal. Continuamos a gostar de curvas. O ponto aqui é a maneira como as curvas são mostradas. Tendo essa primeira boa impressão - "ela é gostosa e sabe como mostrar" -, partimos para a corte, que provavelmente demandará muito mais tempo e esforço. Muitas vezes, é nesse momento que as mulheres costumam meter os pés pelas mãos. Não fiquem se gabando de como conhecem o cinema francês, ou como curtem a visão desconstrutivista de Derrida, ou do quanto acham aquela cantora indie-cult-pós-moderna albanesa super legal. Isso é enfadonho e broxante (ou brochante; o dicionário aceita ambas as acepções). Nessas mulheres, com as quais pleiteamos um relacionamento duradouro, gostamos de espontaneidade. De como vocês gesticulam, como olham para o lado, como mexem no cabelo. De elegância. É aí que nos apaixonamos. É aí que está o borogodó.
A tensão entre vulgares e elegantes sempre existiu e sempre existirá. Isso porque estou considerando que haja somente esses dois tipos de mulheres por aí. Importante frisar que existe um terceiro tipo, as barangas, que cresce assustadoramente a cada dia. A princípio são desprezíveis mas, como diz o ditado, tem gosto para tudo nesse mundo. O fato é que nós, homens, produzimos centenas de milhares de espermatozóides diariamente, e é uma necessidade fisiológica despejá-los em algum lugar. Por isso, o que procuramos, acima de tudo, são bons genes. Seja você vulgar, elegante ou, por vezes, baranga. Sendo gostosa, tá valendo.
Tenham em mente que nós homens realmente não somos lá muito complexos, mas também não somos o estereótipo Homer Simpson que pintam por aí. Somos de lua. Às vezes, só queremos sexo mesmo. Quando é assim, qualquer bagaceira com calça da Gang rebolando ao som de um funk carioca, daqueles bem baixo nível (como se existisse funk carioca de um outro nível que não seja baixo. Rá!), serve. Burra, gostosa, fácil. Por outro lado, quando estamos à caça das mulheres que realmente valem a pena, aí a história é outra. Queremos inteligência e, principalmente, espontaneidade. Deixem de lado o senso comum de que homens não pensam, porque não é assim que a banda toca. Não é à toa que o mundo é machista, e não feminista.
No fim das contas, são vocês, mulheres, que dão as cartas. São vocês que decidem se vão dar ou não. Nós sempre estaremos dispostos a comer. Sejam vocês vulgares, elegantes ou barangas. Com o perdão das palavras machistas, é claro.
Sempre fui um aficionado com mapas. Geografia física sempre foi uma grande paixão, e me lembro de passar tardes e mais tardes da minha infância debruçado em atlas, decorando capitais e bandeiras de países.
Muitos anos depois, cá estou eu, bacharel em Relações Internacionais e um grande apreciador de Geopolítica. Eis que, numa das minhas aulas de pós-graduação, deparo-me com uma foto de satélite que tinha visto há um certo tempo pendurada na secretaria do curso de Relações Internacionais da faculdade e que tinha me impressionado bastante. Tal foto tem o título de The World at Night e é, na verdade, uma junção de fotos tiradas de todo o globo (claro que não dava pra ser uma foto só dado que, se é noite num hemisfério, é dia no outro) por satélites, em período noturno e com tempo limpo.
O resultado é a imagem que ilustra este post, e que vocês poderão ver com maior riqueza de detalhes se clicarem na mesma. A foto mostra bem a ocupação humana do planeta Terra, diferenciando os lugares em que o progresso chegou com força dos em que ele ainda é uma utopia.
Chamo a atenção para a quantidade absurda de luzes nos Estados Unidos, Europa e Japão. A China, por sua vez, apresenta luzes apenas do lado leste. Já o oeste chinês não apresenta nenhuma luz por ser, praticamente todo ele, a cordilheira do Himalaia. A Índia também é interessante, pois é um país subdesenvolvido e, mesmo assim, apresenta bastante iluminação. Mas também, com 1 bilhão de pessoas acendendo luz, qualquer coisa fica iluminada.
Já na nossa querida América do Sul, pode-se ver apenas uns pontos esparsos no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, nossa Belzonte, Brasília, algumas capitais do Nordeste, Manaus e suas respectivas regiões metropolitanas) e nas regiões adjacentes a Buenos Aires e Montevidéu. No norte do subcontinente sul-americano também são significativas as luzes de Colômbia e Venezuela.
A África, infelizmente, é um grande buraco, salvo algumas partes. Vê-se alguns pontos luminosos apenas na África do Sul e na região do Sahel. Entretanto, a parte mais interessante do mapa está nesse continente: reparem como o vale do Nilo está totalmente iluminado! Parece até que o rio é feito de luz. Por fim, o último ponto que queria chamar a atenção está na Rússia. Reparem no filete luminoso que atravessa o país de leste a oeste; aquilo corresponde à Transiberiana.
Bom, o post é curto, mas achei interessante falar sobre a foto. Quem sabe um dia, com o progresso da ciência, não consigo ver essas imagens com os meus próprios olhos? Bem que o Lula podia pagar um curso de astronauta pra mim, hein...
Os últimos acontecimentos em minha vida me fizeram refletir sobre um aspecto que creio que incomode muita gente: e se eu tivesse feito tudo diferente? Como estaria minha vida se, em certo momento crucial, tivesse virado à esquerda ao invés de ir para a direita, ou se tivesse dito determinada coisa a determinada pessoa ao invés de ter ficado calado? Como eu estaria hoje caso tivesse optado por algum outro curso de graduação, ou se tivesse investido mais em um relacionamento? São questões que imagino que todo mundo deva se perguntar, e que, sem dúvida, causa um certo sentimento de agonia.
Tal agonia é facilmente compreensível. Afinal de contas, perguntas do tipo das que fiz acima, utilizando a palavrinha se como conjunção subordinativa condicional, têm em comum o fato de não possuírem uma resposta convincente. Por mais que imaginemos respostas, não podemos comprová-las empiricamente, já que não se pode voltar no tempo.
Esses questionamentos - se alguma coisa, como estaria a outra coisa? - geralmente surgem em momentos em que algo não vai bem. Partindo do pressuposto de que a condição humana não permite uma felicidade plena e incondicional, tendemos a nos fazer estas perguntas com frequência.
Ainda, há de se observar a fé das pessoas, ou mesmo a falta dela. Alguns indivíduos costumam driblar a agonia das if questions pela crença num planejamento divino, em que todos nascemos com um destino traçado. Me desculpem os que seguem essa vertente, mas eu enxergo tal posicionamento como sendo bastante pragmático, no mau sentido, e ingênuo. É claro que existe uma série de constrangimentos morais, sentimentais, instintivos e culturais que nos impede de agir de determinadas formas e, até certo ponto, torna nosso comportamento bastante previsível. Contudo, no limite, nada nos impede de dizer o que bem entendermos, de nos jogarmos do alto de um prédio ou de manifestarmos qualquer sentimento ou opinião. E é justamente por isso que acredito no livre-arbítrio.
Como alguns olhos mais atentos devem ter percebido, a ilustração no início deste post é uma figura da deusa romana Fortuna (equivalente a Tyche na mitologia grega), que representava não a bonança financeira, mas a sorte. Vale ressaltar que sorte, nesse sentido, não significa a boa sorte como nos acostumamos na língua portuguesa, mas remonta uma noção de destino, de imprevisibilidade do porvir. Daí a ilustração da deusa sobre uma esfera, o que leva ao pensamento de que ela não tem controle sobre o caminho que segue. Por analogia, pode-se concluir que representa a possibilidade infinita, ou seja, o acaso. Maquiavel, em O Príncipe, refere-se à Fortuna como uma metade da vida humana, presente na formação de contextos, situações e outras coisas sobre as quais não se pode ter controle. A outra metade se dá na Virtú, que é a vontade humana, ou a maneira como o homem lida com o acaso incontrolável.
Levando estes fatores em consideração e tendo inabalável fé nas doutrinas maquiavélicas, acredito que não adianta nada pensar no se, na possibilidade que não aconteceu e que pode um dia acontecer, mas não nas mesmas condições e nem da mesma forma. O que nos cabe, em nossa pobre condição humana, é lidarmos da melhor forma possível com os acontecimentos, e agirmos da forma que julgamos ser a mais correta, pois é sobre isso que temos controle. O passado serve apenas como aprendizado. É através dele e a partir dele que nos tornamos quem somos hoje. Cada alegria, tristeza, sucesso, fracasso, surpresa ou frustração é um pequeno tijolo na construção de nosso caráter, de nossos princípios e atitudes.
No fim das contas, devemos mesmo é nos preocupar com a maneira como enfrentaremos o que teremos pela frente. E se tem algo que não fizemos e que nos arrependemos de não ter feito, bom... quem sabe ainda não há tempo para fazer?
POST-SCRIPT: Peço desculpas pelo longo período sem atualizações. Diversas tarefas, mazelas pessoais e a implacável preguiça me impediram de escrever como gostaria. Mas, como um bom filho pródigo, retornei, e resignado. Prometo tentar não passar tanto tempo sem postar.
Honestamente, eu não entendo como certas coisas existem. Como diz o Suassuna nesse vídeo aqui, mas em outro contexto: "o sujeito que compôs essa música é um imbecil; quem canta é, porque escolheu; e quem gosta é também!" Não escrevo sobre música ruim hoje, mas sobre uma coisa que me incomoda tanto quanto - o Terra Gente e seus similares.
Não vou nem colocar link, porque se colocasse estaria fazendo um desfavor à humanidade. Para quem não sabe, o tal do Terra Gente é como se fosse uma revista Contigo, Tititi ou Tchururuba dessas aí, que tem como conteúdo o dia-a-dia das celebridades brasileiras e gringas. Manchetes como "Juliana Didone corre na orla da Barra", "Regina Casé dança funk em lançamento de programa no Rio" e "Adriana Esteves passeia com o filho na orla de São Conrado" recheiam a publicação. Parece piada, e na verdade é!
E é aí que eu pergunto: o quê, diabos, eu tenho a ver com isso? Eu não conheço essas pessoas, não quero conhecer e, sem maldade, eu quero mais é que elas se explodam. Tanta coisa no mundo pra ser noticiada e que interfere na vida de todo mundo por aí, e ainda vêm uns "jornalistas" me contarem que a Juliana Didone correu na praia? O pior é que, já que essas bizarrices jornalísticas existem, há quem as compre. E não deve ser pouca gente.
Não dá pra acreditar: o sujeito faz lá sua faculdade, fica pelo menos quatro anos estudando, pra receber o diploma e escrever umas merdas como essas? Não é possível que o mercado esteja tão ruim assim para que o dito "profissional" apele para um setor desses. E daí começa a merdaiada toda, Caras, Contigo, Tititi, Terra Gente...
Quem porventura estiver lendo este texto e for IMBECIL o suficiente para também ler essas porcarias que citei, get a life! E por favor, não converse mais comigo.
Em tempo: agradeço à Flavinha, mais assídua comentarista desse blog. Com certeza ela é hors concours na lista aqui debaixo. Com todo o devido respeito ao Vitin, claro.
Ontem, depois de um animado happy-hour pós-ensaio com os amigos Gordão, Léo Braca e Matos, tive a idéia de fazer um post com o assunto principal de nosso encontro: mulheres. Acho que nenhum homem vai discordar de que elas são a melhor coisa do mundo. Carros, dinheiro, viagens, música - tudo isso é muito bom, desde que haja mulheres.
Inspirado por esses pensamentos, resolvi fazer uma lista, que a princípio seria um top 10 de mulheres mais gatas do mundo. Mas como mulher é bom demais, não consegui baixar a lista pra menos do que 12 monumentos. E mesmo assim, lamento profundamente a ausência de pelo menos umas nove mil outras mulheres, além de não ter bem certeza de que a ordem em que coloquei as beldades é justa.
Antes de começar a listagem, aconselho veementemente que vejam o vídeo abaixo. É uma cena do filme Perfume de mulher (Scent of a woman), em que o Tenente-Coronel Frank Slade, também conhecido como Alfredo James Pacino, fala sobre as mulheres. Eu mesmo não poderia ter expressado melhor os meus pensamentos sobre elas, e acredito que este seja o pensamento de todo homem que aprecia verdadeiramente a produção mais perfeita da nossa mãe natureza. O diálogo é em inglês e as legendas são em espanhol, portanto acione seus conhecimentos linguísticos e faça algum esforço para entender. Vale a pena. Aí vai:
Tendo em mente os ensinamentos do mestre-pegador Pacino, a conversa de ontem e todas as mulheres maravilhosas que já vi em toda a minha curta vida, elaborei a seguinte lista:
12-Claire Forlani Desde que assisti, por acaso, a comédia romântica Amor x Amizade, me apaixonei pela Claire Forlani. Aquele olhar único de "eu sei que você está escondendo alguma coisa" mata qualquer homem do coração. O belo par de olhos verdes agregado a uma boca absolutamente sensacional garantem à bela moça a vaga aqui no meu top 12. Não bastasse isso, ela ainda tem um corpo escultural, que faria levantar até o mais falecido dos defuntos. No filme Encontro Marcado, eu desejei ser o Brad Pitt do fundo da minha alma, só pra dar uns pegas, mesmo que profissionais, na mocinha aí do lado. Quem sabe um dia eu não viro ator de Hollywood e consigo a proeza? Hum, acho que não.
11-Denise Richards Eu tendo a preferir as morenas às loiras, mas pela Denise Richards não dá pra passar batido. Maxilar largo, lábios carnudíssimos, dentes impecáveis... Imagine-a rindo! Os olhos verdes e os longos cabelos loiros dariam o toque final na beleza estonteante da Denise, mas pra completar ela ainda tem um dos pares de peitos mais fenomenais de Hollywood. O Charlie Sheen devia passar tão bem! Com certeza o considero um completo idiota, afinal, como pode uma pessoa conseguir o feito de se casar com a Denise Richards e depois se separar? Ela pode ter chulé, bafo, o que quiser. Mas olhar pra uma coisinha dessa todo dia de manhã do meu lado na cama me faria o homem mais feliz do mundo. E ainda por cima, ela é Bond Girl! Precisa mais que isso?
10-Shannon Elisabeth Quem não se lembra da antológica cena da russa Nádia se masturbando na casa do Jim em American Pie I? Pois eu nunca consegui esquecer. Aliás, quando vi essa cena, nos idos de 1999, estava no auge dos meus 13 anos e minha admiração pelas do sexo oposto crescia num ritmo alucinante. Sem dúvida, Nádia é um marco no início não só da minha vida sexual, mas no de toda geração American Pie. Por isso sua intérprete, Shannon Elisabeth, é obrigatória na minha lista de mulheres mais gatas do mundo. Traços sóbrios, sorriso perfeito, pele cuidadosamente bronzeada, postura elegante e um corpo que tira qualquer um do sério. Duvida? Vá à locadora mais próxima e alugue o filme. Satisfação mais do que garantida!
9-Rhona Mitra Essa aí, apesar de figurar em nono lugar, é uma das minhas preferidas. Venhamos e convenhamos, mulheres que têm cara de brava são sempre espetaculares. Em A vida de David Gale, Rhona Mitra protagoniza uma cena de sexo embasbacante com o sortudo Kevin Spacey. Depois de assistir a performance da moçoila, não tem como não virar fã. Acho que não precisa dizer nada a respeito da beleza dela, a imagem diz tudo. Deixe os olhos fazerem o trabalho!
8-Rachel Weisz Já deu pra perceber que eu tenho um fraco para mulheres. Mas mulheres na casa dos 30 e poucos têm um charme especial. São experientes, bem-resolvidas, sabem conversar... Rachel Weisz é um dos exemplares-modelo dessa espécie. Além de linda, tem um arzinho de séria, centrada e complicada. Mas é daquelas complicações na medida certa, que deixa qualquer homem matutando pra tentar resolver o mistério. Seeeeexy!
7-Angelina Jolie Para muitos homens (e mulheres também!), Angelina Jolie é não só a mulher, mas o ser humano mais bonito do mundo. Aqui ela ocupa o sétimo lugar da lista por dois motivos: 1-para sair do lugar-comum de deixá-la em primeiro lugar; 2-acho que tive uma certa overdose de Angelina Jolie depois de seu casamento com Brad Pitt (que cara sortudo!) e toda aquela história dos filhos adotados e do baby Brangelina. Mas, em relação ao que interessa a este post, Angelina é uma mulher que não pode faltar. Olhos inacreditavelmente azuis, os lábios mais perfeitos da história da humanidade, e um sex appeal de dar inveja. Dizem que ela é meio cabeçuda mas... E daí???
6-Elisha Cuthbert Muitos vão discordar da colocação da Elisha Cuthbert, mas eu, que tenho fresco na memória o filme Um show de vizinha, não poderia pensar em posição mais apropriada para a beldade. Quem já viu o filme sabe do que estou falando. A pornstar maravilhosa que se apaixona pelo vizinho mais comum do mundo deixa qualquer homem esperançoso. Além de andar de New Beetle conversível, o que, cá pra nós, é muito estiloso, Elisha tem um olhar de menina meiga que derrete até o mais empedrado dos corações. Sem falar no corpo que não tem nem uma pinta fora do lugar. Será que um dia encontrarei a minha Danielle?
5-Jéssica Alba A partir de agora, as palavras não têm quase nenhum valor mais. Pra quê ficar descrevendo essas mulheres? Vão ver as fotos! Jéssica Alba é um espetáculo. É a mulher invisível que não devia ficar invisível nunca. É o quinto lugar. E tenho o dito!
4-Keira Knightley Quem disse que o legal é ter bundão, peitão e silicone pra tudo quanto é lado? Não que eu dispense esse tipo de mulher, mas é só pra deixar claro que não precisa fazer o tipo boazuda pra ser extremamente gata! Aliás, esse é o caso da magreleza estonteante de Keira Knightley. Cabelos preferencialmente curtos, carinha de brava, posh english. Ai, ai... Discorda do fato dela estar na lista? Bollocks!
3-Scarlett Johansson Mais uma que não tem nem o que dizer. Loira, olhos azuis, boca perfeita, peitos mais ainda. Só o doente do Woody Allen pra ter a coragem de matá-la, mesmo que seja em um filme (Match Point). Aliás, nesse mesmo filme ela protagoniza uma cena de sexo com o Jonathan Rhys Meyers (sortudo filho-da-puta) num descampado que putz... Dá vontade de comer não so a Scarlett, mas a grama inteira! Mais uma vez: que peitos!
2-Jessica Biel Jessica é mesmo um nome abençoado. Duas no top 5! Jessica Biel é uma coisa de outro mundo. Gata em todos os sentidos, gostosa, sexy. Jessica me conquistou em apenas uma cena: saindo do banho enrolada numa toalha, em O Vidente. Sabe quando o tempo passa em slow motion, os anjos começam a cantar nos seus ouvidos, tudo fica mais claro? Pois é, essa cena me proporcionou isso. Vice-campeonato pra Jessica Biel.
1-Marion Cotillard Eu sei que esse número um vai ser muito contestado, mas paciência. Afinal de contas, esse blog não é nenhuma democracia. Marion Cotillard é a mulher mais gata do mundo pra mim e pronto. Rosto, corpo, voz, jeito, charme... E ainda por cima é francesa! Quem me conhece sabe que tenho um certo fetiche com a França. E esse é todo o diferencial da Marion. Quem viu Um bom ano e não se apaixonou, ou não gosta de mulher, ou não prestou atenção no filme. Marion Cotillard, a mulher mais gata do mundo na minha modesta opinião, e eu não me canso de repetir...
E assim termino o meu ranking. Espero escrever bem mais sobre esse assunto em breve, afinal... mulher é a melhor coisa do mundo!
O mundo tem me assustado. A cada dia, vejo mais coisas bizarras e que vão contra tudo aquilo que sempre acreditei ser certo. Sempre baseei meus valores na coletividade, boa convivência, civilidade. Não se enganem: eu não sou nenhum conservador, muito menos "reaça". Só acho que já está passando da hora de dar um basta nessa acomodação patética em que se atolou a nossa geração (1980's), e alguns valores têm que ser revistos com urgência.
Honestamente, não aguento mais a cultura seguida pelos jovens de hoje. Como disse o cara do Controle Remoto, o mundo está repleto de merdas. Até achei o texto dele um pouco narcisista e babaca, mas, apesar disso, boa parte do que está escrito converge bastante com o que tenho observado ultimamente. Não dá mais para aturar essa galerinha de correntinha prateada no pescoço, uniformezinhos de marca idênticos, carros tunados que param onde quer que você esteja, inclusive na porta da sua casa, e o obrigam a ouvir funk, axé, gangsta hip hop (cuja tradução literal seria "balança-quadril de bandido") e essas musiquinhas de gente infeliz. Talvez, quem estiver lendo dirá "pô, mas eu gosto de axé... nada a ver!", mas o problema não é a música em si mesma. A merda toda está nos valores que envolvem a cultura dessas músicas, e o que transmitem a esse povo que já não tem lá muito alcance intelectual. Para mim, já se tornou insuportável ter esse tipo de música, de cultura e de comportamento imposto a mim, como condição de inserção na sociedade. Por detestar essas coisas, sou taxado quase que diariamente de chato, inflexível, travado e outros adjetivos pouco lisonjeiros. O que só me deixa mais irado é como essas pessoas, ingenuamente, tentam defender sua posição, que ao meu ver é indefensável.
Não consigo entender como 99% das mulheres que se envolvem no tipo de baixaria cultural sobre a qual escrevo ficam irritadas quando são consideradas mulheres-objeto. Será que elas já pararam pra pensar no que dizem as músicas que elas tanto ouvem, em qual o objetivo de ir a um baile funk ou ao carnaval de Salvador, ou mesmo no que elas valorizam nos homens? Pra não meter uma bala na minha cabeça, prefiro achar que é preguiça mental da parte delas, ao invés de encarar a realidade de que são uma horda de imbecis. Os caras, por sua vez, cada dia mais se impõem através de duas coisas: ou dinheiro, ou porrada; muitas vezes, os dois. Quantas mulheres fulano pegou na noite, qual o carro ele tem, se ele bateu ou apanhou numa briga... esses são, infelizmente, parâmetros muito mais aceitos para medir a grandeza de um homem do que a qualidade de seu caráter, seus valores, suas realizações.
Muitos dirão "mas música é gosto, e isso não se discute!". Bom, eu acho que seja mais do que gosto. É uma opção de estilo de vida. Para mim, essas músicas são mais ou menos como essas igrejas neo-evangélicas brasileiras, nos moldes da do "bispo" Edir Macedo - se aproveitar da ignorância das pessoas para extorquir dinheiro. Só que, como é "religião", a extorsão ganha um álibi. No caso da música ruim, que serve pra imbecilizar as pessoas e controlá-las mais facilmente, o álibi aparece na proibição de discutir gostos, que alguém um dia inventou e todo mundo acreditou.
Sei que este é um texto bastante polêmico, mas é a minha opinião. Se fui generalista, foi pelo simples fato de ser impossível citar nomes (não por medo, mas por de fato não sabê-los). Em suma, isso é o que tenho observado por aí e que tem me causado medo. Se a geração está assim logo aos vinte e poucos anos de idade, como estará quando estiver com as rédeas do mundo nas mãos? Espero que o cataclisma venha antes de isso acontecer, ou que eu esteja redondamente enganado. Se discordar da opinião dada neste texto, o espaço para cornetadas está aí justamente para que você opine. Se se sentiu ofendido, provavelmente a carapuça serviu e eu não devo estar tão errado assim.
Para encerrar, vou deixar aqui um vídeo do que considero boa música. Sou motivo de galhofa, às vezes, por gostar de Van Halen. Não é de tudo deles que gosto, e nem acho que eles passam a mensagem mais inteligente do mundo. Entretanto, acho que esse clipe tem uma mensagem simples, mas muito interessante e que se encaixa muito bem nesse post. Assistam aí, se quiserem!
No meu último post, escrevi sobre os problemas causados pela dependência digital. Dessa vez, escreverei sobre um problema ainda mais chato: a falta de energia elétrica.
Não sei como é o sistema elétrico de outras cidades brasileiras, mas com certeza o daqui de BH City é uma grande merda. Excetuando-se o Centro e a região da Savassi, onde a fiação é subterrânea, no resto da cidade os fios vão pelo alto, de poste em poste. Até aí, nada demais. Mas soma-se a isso o fato de que BH é uma das cidades mais arborizadas do mundo, e os valiosos fios que dão vida à geladeira nossa de cada dia teimam em passar pelo meio das copas e galhos das nossas tão comemoradas árvores.
Não bastasse o desconforto estético, outro problema muito mais grave é causado por esse tipo de fiação: as faltas regulares de energia elétrica. É claro! Se os fios passam por entre as árvores, qualquer chuvinha ou ventania mais encorpada faz com que os fios batam contra a vegetação, e, bem mais frequentemente que gostaria, estou eu de volta à Idade Média, subindo sete andares de escada. O mais ridículo é acender velas sem a menor intenção de ser romântico.
O pior de tudo é pensar que isso acontece numa área nobre da terceira maior metrópole do Brasil, e em pleno século XXI. Mas também, num país onde em plena era digital ainda é necessário instituir um programa governamental chamado Luz para todos, até que a falta de energia faz algum sentido.
O que eu não consigo entender é a cultura brasileira de sempre optar pelo barato que sai caro. Foi assim com o nosso sistema viário - optamos pelas rodovias, que são de implantação mais barata, porém de manutenção muito mais cara e eficiência muito menor que as ferrovias - e novamente fizemos a escolha burra pela fiação aérea que, além de enriquecer alguns poucos fabricantes de postes, tem uma manutenção muito vultosa e nos deixa muito mais na mão do que a fiação subterrânea.
Me deparei com a falta de energia na última sexta-feira. Cheguei em casa, e, ao tentar abrir o portão da garagem com o controle (santa tecnologia!), nada aconteceu. Pronto, estávamos sem luz. Lá fui eu, debaixo de chuva, abrir o portão manualmente. Cansado de empurrar o pesado portão, com as mãos completamente sujas de óleo e totalmente ensopado, tive a árdua tarefa de subir os catorze lances de escada que ligam o térreo à minha casa, carregando as sacolas das compras de todo dia que havia feito.
Chegando ao lar, resolvi ligar para a CEMIG (Companhia Energética de Minas Gerais) para saber se a luz demoraria a voltar. A atendente ainda teve a audácia de me perguntar meu número identificador. 'Pera lá: estou molhado, cansado, puto, minha casa está totalmente escura e ela ainda queria que eu tivesse em mãos minha última conta de luz com o número identificador? Brincadeira, e de mau gosto. Depois de confirmar todos os meus dados, processo que levou uns bons dez minutos, obtive a "precisa" informação de que a energia seria religada entre 0 e 11 horas após a minha solicitação. Completamente impotente, fui degustar um cigarro na escuridão da poltrona da sala me lembrando que, há dois anos, fiquei exatas vinte e quatro horas sem luz. Um dia completo. Perdi boa parte dos perecíveis da geladeira, tomei banho frio, fiquei sem computador, TV, microondas... nem ler era possível, já que a minha provisão de velas não estava preparada para tanto tempo de uso.
Vinte minutos e dois cigarros após a construtiva conversa com a atendente, a luz voltou. Que beleza.
É impressionante como, atualmente, a humanidade depende dos meios digitais. O que seria do mundo de hoje se não houvesse internet, mp3, e-mails, messengers e computadores? Com certeza, seria no mínimo um lugar muito mais arcaico.
Adoro a tecnologia, acho que torna as coisas muito mais fáceis. A chatice é que a tecnologia é muito suscetível a parar de funcionar de uma hora para a outra, e sem nos dar o menor feedback. Os temidos bugs, paus (ô lôco), bizius, tilts e demais problemas vêm sem aviso. E o pior é que geralmente a lei de Murphy costuma imperar nesses momentos, o que torna operações simples como imprimir um documento ou enviar um e-mail tarefas extremamente desesperadoras e trabalhosas, dignas de figurar nos versos da Odisséia de Homero.
Comigo, infelizmente, esses problemas tecnológicos costumam ocorrer numa frequência (agora não existe mais trema, que maravilha!) bem maior do que eu gostaria. Ano passado, quando escrevia meu trabalho de conclusão de curso, meu computador queimou nada menos que três vezes num espaço de duas semanas. Além disso, o arquivo que continha a minha monografia ficou corrompido, e a recuperação exigiu dois dias. Olhando pelo lado positivo, pelo menos não tive de reescrever o trabalho a partir do zero.
Passados esses problemas, achei que estaria livre, pelo menos por um tempo razoável, de ter novas dores de cabeça com minha vida digital. Tenho uma grande quantidade de mp3, letras de música, fotos, documentos, trabalhos e outras coisas salvos no meu hard disk. Além disso, passo boas e proveitosas horas do meu dia na frente do computador (como todo blogueiro que se preze) fazendo as mais diversas coisas: trabalhando, estudando, lendo, escrevendo, ouvindo música, publicando coisas aqui, conversando... Como sou muito preguiçoso, não tenho backup das coisas importantes. Ok, eu tenho lá minha parcela de culpa.
Indo logo ao assunto: semana passada meu processador resolveu que não ia funcionar mais. O resultado foi mais de uma semana sem computador e a necessidade de trocar processador, placa-mãe e memória ram, o que desaguou num "prejú" aproximado de 800 mangos. Até aí tudo bem, apesar da dor de cabeça e do passivo acrescido às minhas contas em um momento bastante inoportuno. Só que a coisa piora. O meu curriculum vitæ, o famigerado CV, foi pro conserto junto com o resto do PC. Eis que, justamente enquanto estou provisoriamente no meu notebook que não contém nada de importante, preciso do meu CV para tentar um emprego decente. Emprego eu já até consegui, o que foi uma grande vitória. Mas logo agora, quando tenho a chance de arranjar um decente, não posso enviar meu histórico acadêmico-profissional para apreciação dos empregadores. Dammit!
O que concluir disso tudo? Em primeiro lugar, faça backup. Em segundo lugar, tenha suas coisas importantes como CV, letras de música e trabalhos impressos, e que se danem as árvores. E, mais importante que tudo isso, tornem suas vidas o mais independente possível do mundo digital. Reabilitem-se do vício digital!
Bom, vou ficando por aqui. Tenho que providenciar um CV novo.
Tirando o Al Gore, ninguém ganha o Prêmio Nobel à toa. Gabriel García Márquez, escritor colombiano, é um dos que ganhou mais do que merecidamente esse prêmio, - lembrando que Gore ganhou o da Paz, e Gabito o de Literatura - em 1982. Para quem gosta de bons livros (Harry Potter e similares não se enquadram nessa categoria), a obra de Gabito é obrigatória.
Acabei de terminar sua autobiografia, Viver para contar (Vivir para contarla, no original), e achei sensacional. Garcia Márquez conta sua vida desde a infância em Aracataca, um pequeno povoado na costa caribenha da Colômbia, até sua partida para a Europa, como correspondente internacional do El Heraldo, um jornal de Barranquilla.
Viajando por sua memória, pude ver toda a dificuldade de viver numa Colômbia completamente instável politicamente em meados do século XX. Estudos de literatura, uma carreira jornalística acidental e dificuldades financeiras ditam o tom na vida do escritor. Esses fatores, além de sua família, são as principais fontes de onde o professor Gabo tirou os personagens marcantes de suas principais obras.
Falando nelas, devo dizer que Cem anos de solidão e O amor nos tempos do cólera são obras geniais, que todo mundo deveria ler. Quem quiser aprender sobre Realismo Fantástico, não precisa ver mais nada na vida. Bom, talvez A metamorfose, de Franz Kafka, que aliás foi uma das maiores influências literárias de Gabito.
Para os jornalistas, recomendo Relato de um náufrago, série de reportagens para o El Espectador escrita por Gabriel García Márquez nos anos 1950. Nessa obra, é contada de forma magistral a vida de Luís Alejandro Velasco, um tripulante que se salvou de um naufrágio de um navio de guerra colombiano. Sem dúvidas, uma aula de jornalismo.
Gabito tem 81 anos e vive hoje em Cuba, onde luta contra um câncer linfático. Desejo pronta recuperação ao gênio, e agradeço por cada linha escrita por ele.
"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la." - Epígrafe de Viver para Contar.