23.12.08

Fim de ano e outras mudanças

Os meses de dezembro são sempre os mais imprevisíveis do ano. Seja pelas decisões de última hora sobre o destino da viagem de reveillón, ou pela correria aos shoppings e lojas para comprar os presentes de todo mundo, ou mesmo pela quantidade absurda de gente que cisma que quer encontrar com você antes do ano-novo. Essa última nunca consegui entender: que diferença faz encontrar-se em dezembro ou janeiro? Francamente! Os seres humanos inventam certos rituais que são qualquer coisa, menos lógicos.

Quase findo o dois milésimo oitavo ano depois de Cristo e da era de Peixes (o que não é mera coincidência), pensei em fazer uma retrospectiva de tudo que ocorreu nesse ano - que começou mal e acabou bem, apesar da crise financeira. Mas, no fim das contas, cheguei à conclusão que seria clichê demais fazer uma bobagem dessas. Mais um ritual completamente sem sentido.

Então, acho melhor avisar aos meus escassos, porém assíduos e fidelíssimos, leitores de que não estarei em BH city na última semana do ano. Estarei em terras peruanas, onde explorarei a famosa cidade perdida de Machu Picchu, e poderei conhecer Cuzco, Lima e o intrigante deserto de Nazca. Destarte, só escreverei neste humilde blog novamente no dois milésimo nono ano depois de Cristo e da era de Peixes.

Por isso, aproveito e deixo aqui o meu abraço, e agradeço a todos pelas visitas, opiniões e considerações às minhas baboseiras tão mal rabiscadas aqui no meu espaço. E que no próximo ano, possamos nos preocupar mais com os encontros e menos com os rituais. Até lá!

8.12.08

Quando tudo perde o sentido

Quando você percebe que quando não há barulho, o silêncio sempre predomina. E quanto tempo da sua vida perdeu parado num sinal vermelho. Quanta informação inútil você apreendeu, quantos filmes idiotas você viu, de quantas conversas que nada acrescentaram você participou - e ativamente. Quanto dinheiro já gastou com bobagens, e quanto esforço e tempo você gastou para conseguir o dinheiro. Ou que as palavras perdem o significado quando são repetidas muitas vezes. Muitas vezes.

Quando você nota que amores começam para terminar, e que a felicidade e tão inatingível quanto é intangível. Que só aprende alguma coisa nos momentos de tristeza. Que a paz é só um intervalo entre duas guerras. Que ninguém será do jeito que você gostaria, e nem você será do jeito que ninguém gostaria. Que, por mais que haja afinidades, na maioria das vezes a diferença fala mais alto. Que a maior parte das coisas que você sabe é por obrigação, e que o que realmente importa acaba sendo relegado à categoria de hobby. E que você nunca saberá tudo o que gostaria, e mesmo as coisas que você sabe serão um dia esquecidas. Que, algumas vezes, as pessoas lhe chamam de algo que você faz um esforço tremendo para não ser. Ou que, ao se esforçar para não ser algo, é exatamente aquilo que você acaba se tornando.

Quando você vê que todas as pessoas do mundo, inclusive você, têm as mesmas desagradáveis necessidades fisiológicas. Que o maior prazer carnal não dura mais do que cinco segundos. Que tudo que é bom, faz mal. Que faz coisas para agradar os outros, muitas vezes em detrimento do seu próprio gosto. Que tem muito mais obrigações do que diversões, e que, às vezes, as coisas simplesmente não valem a pena. Que muitos dos seus sonhos nunca serão realizados. Que você não dorme o quanto gostaria, ou mesmo o quanto precisa. Que é mais fácil sentir dor do que prazer.

Quando você descobre que, por mais livre que se considere, está preso numa coisa chamada vida, e que a morte virá de alguma forma, num tempo que você não sabe. Mas sabe que a morte é, em alguma medida, dolorosa.

Quando tudo perde o sentido. Até um texto.

Desculpem.