26.1.09

Aos amigos, ontem ainda

Depois de algum tempo, volto a postar por aqui. Dessa vez o post será curto, mas muito significativo.

Deixo aqui a letra traduzida de uma música que me fez refletir muito sobre os rumos que damos à vida, aos rumos que a vida nos dá e valores e princípios que acreditamos serem imaculáveis. No fim das contas, nada permanece.

Sugiro que, após lerem a letra da música, ouçam-na. É de encher o coração.



Hier encore
(Ontem ainda) - Charles Aznavour

Ontem ainda, eu tinha vinte anos
E acariciava o tempo
E brincava de viver
Como se joga no amor
E eu vivia a noite sem levar em conta os dias
Que se perderam no tempo

Fiz tantos projetos
Que permaneceram inacabados
E alimentei tantas esperanças que se perderam
E fiquei perdido, sem saber onde ir
Com os olhos buscando o céu, mas o coração preso ao chão

Ontem ainda, eu tinha vinte anos
E desperdiçava o tempo acreditando que o estava parando
E para retê-lo, ou mesmo ultrapassá-lo,
Não fiz mais que correr até perder o fôlego

Ignorando o passado, conjugando o futuro,
Precedia de "eu" qualquer conversa
E dizia sempre que eu queria o que era bom
Para poder criticar o mundo com desenvoltura

Ontem ainda, eu tinha vinte anos
Mas perdi meu tempo
A cometer loucuras que não me deixaram, no fundo
nada de verdadeiramente concreto
Apenas algumas rugas na testa
E o medo do tédio

E meus amores morreram antes mesmo de existir
Meus amigos partiram, e não mais retornarão
Por culpa minha, criei o vazio em volta de mim
E descartei minha vida e meus anos de juventude

Do melhor e do pior, descartei o melhor
Petrifiquei meus sorrisos e congelei meus choros
Onde estão eles agora?
Onde estão agora meus vinte anos...